Enquanto Isso...
Enquanto Isso...
Por José Norberto de Jesus
Enquanto senadores e senadoras, depois de eleitos, precisam frequentar o Congresso por apenas seis meses para conquistar sua “alforria” e assegurar o tão desejado passe livre, outros, bem menos afortunados, continuam brigando por melhores salários, jornadas mais humanas e condições dignas de trabalho.
Que a eternidade lhes recorde que todos somos mortais.
A Cava do Cauê é enorme. Em seu imenso vazio, cabe a memória de todos aqueles que, movidos pela ganância, pela omissão ou pelo poder, sacrificam silenciosamente homens e mulheres que padecem diariamente no chão da mineração.
A vida segue.
E, enquanto os trabalhadores lutam para sobreviver, os privilegiados já se preparam para explorar o que ainda resta das chamadas “terras raras”. Em breve, talvez elas deixem de ser raras, não porque tenham se multiplicado, mas porque a boca da serpente encantadora, faminta e insaciável, ameaça engolir e liquidar tudo o que encontra pela frente.
A terra é revolvida.
A riqueza é retirada.
O lucro segue adiante.
Mas o peso da exploração permanece sobre os ombros de quem trabalha.
Enquanto isso...
Não apresse o sábado.
O fim de semana é tão pequeno
que mal dá para descansar.
A escala 6×1
só serve ao patrão
que gosta de mandar
em quem vive do trabalho.
Quem é da luta,
quem é da batalha
e trabalha honestamente
não reclama do trabalho.
Reclama quando seu esforço não é reconhecido, quando sua dedicação é ignorada e quando não lhe oferecem o valor, o respeito e a dignidade que lhe são merecidos e devidos.
Bom seria se, na escalação desse grande time chamado trabalho, o trabalhador pudesse entrar em campo — no escritório, na lavoura, na mineração ou no chão de fábrica — leve, respeitado e descansado.
Quando o time joga unido e sem exploração, o resultado não precisa nascer da ameaça nem da cobrança. O trabalhador veste a camisa com orgulho, realiza sua tarefa com disposição e compreende que também faz parte da vitória.
Quando trabalhadores e patrões caminham juntos, com respeito, justiça e responsabilidade, o labor ganha outro sabor.
A família se sente amparada.
O trabalhador se sente valorizado.
A empresa se fortalece.
E a sociedade inteira avança.
Porque resultado verdadeiramente satisfatório e vitorioso não é somente aquele que aumenta o lucro. É aquele que preserva a vida, respeita o descanso, reconhece o esforço e permite que cada trabalhador retorne para casa com a consciência tranquila e a dignidade preservada.
O trabalho não pode aprisionar.
O trabalho precisa libertar.
Autoria: José Norberto de Jesus